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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Mãe de menino barrado em shopping sustenta oito pessoas com venda de balas

A mãe do menino de 12 anos, que foi barrado na praça de alimentação do Shopping da Bahia, sustenta a família com o dinheiro da venda de balas e salgadinhos nos ônibus de Salvador.

A vendedora Eliene de Oliveira Santos, 57 anos, além de sustentar os três filhos e os dois netos, ajuda financeiramente os pais, que moram no município de Terra Nova, a cerca de 80 km de Salvador.

Os dois filhos mais novos ajudam a mãe vendendo balas nas ruas e em shoppings da capital. Na última segunda-feira (11), um segurança do Shopping da Bahia tentou impedir que o empresário Kaique Sofredine pagasse almoço para a criança.

“Me senti arrasada. Já aconteceu outras vezes, mas nunca foi filmado”, conta a vendedora ao CORREIO. O caso ficou famoso porque toda a ação foi filmada por um cliente do shopping e compartilhada nas redes sociais. O vídeo original foi assistido por mais de 9 milhões de pessoas.

Eliene mora com a família em uma casa no bairro de Pernambués. O menino de 12 anos é o filho mais novo e tem duas irmãs e dois sobrinhos recém-nascidos. A irmã mais velha tem 17 anos e um filho de 4 meses, e a outra tem 14 anos e um filho de 5 meses. Os cinco dividem o mesmo quarto. O outro quarto da casa é o de Eliene.

Na última terça (12), o menino foi acolhido pelo time do Vitória para participar do programa de ações sociais do clube, batizado de Vitória Cidadania. “Eu gostei, né? Pelo menos não fica na rua”. Eliane conta que o shopping não entrou em contato com a família.

Por meio da assessoria, o shopping afirmou que não tinha nada a acrescentar sobre o caso além da nota emitida na última terça, quando anunciou o afastamento do segurança.

“Além disso, ele foi advertido e segue para uma nova rodada de cursos e capacitações”, diz a nota. O texto ressalta que os seguranças do estabelecimento passam periodicamente por treinamentos técnicos.

Escondido

Em conversa com o CORREIO, a irmã de 14 anos do menino abordado no shopping afirmou que sempre entra nos shoppings para tentar vender balas e revistas de caça-palavras escondido. A jovem conta que conhece o segurança que tentou tirar seu irmão do shopping:

“Aquele segurança [do vídeo] a gente até conhece. Ele é uma pessoa boa, sempre pedia pra gente sair, dizia que a central tava mandando, e a gente saía. Não sei por que dessa vez ele fez daquele jeito com meu irmão”, conta.

Repercussão

A OAB afirmou que vai oficiar o Shopping da Bahia em decorrência da atitude do funcionário. “A gente vai mandar um ofício para o shopping, para que eles esclareçam oficialmente o que aconteceu e o que vão fazer para reparar o ocorrido – se vão fazer medidas reparatórias garantindo o acesso de jovens negros da periferia, por exemplo, a atividades de lazer; se vai haver política de inclusão de funcionários”, diz o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-BA, Jerônimo Mesquita.

O ofício deve ser encaminhado até essa sexta-feira (15), mas não há prazo para que o shopping responda. Se não houver nenhum tipo de diálogo, a OAB-BA vai avaliar internamente que medidas serão adotadas em seguida – inclusive, com a possibilidade de acionar o Ministério Público Estadual (MP-BA). // Correio

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