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segunda-feira, 12 de março de 2018

Um dos líderes comunitários de associação que denunciava crimes ambientais em Barcarena é morto a tiros


Associação Cainquiama alega que estava sendo perseguida por policiais locais. Pedido de proteção havia sido negado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. Polícia Civil apura as circunstâncias do crime.
m dos líderes comunitários da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), Paulo Sérgio Almeida Nascimento, de 47 anos, foi morto a tiros na madrugada desta segunda-feira (12). O crime aconteceu em Barcarena, nordeste do Pará. De acordo com a Polícia Civil, as cirscunstâncias do crime estão sendo apuradas pela Delegacia de Vila dos Cabanos.
A associação Cainquirama faz denúncias sobre problemas ambientais que atingem a região. A vítima era um dos diretores.
De acordo com o Ministério Público do Estado, os representantes da associação vinham sofrendo ameçadas de policiais. Um pedido de proteção chegou a ser feito à Secretaria de Segurança Pública (Segup), mas foi negado.
Ainda segundo a polícia, a vítima era ligada movimentos de invasão de terras em Vila dos Cabanos.
Segundo as primeiras informações da Polícia Civil, a vítima estava em sua residência quando, durante a madrugada, se levantou para usar o banheiro, que fica do lado de fora da casa, e foi alvejada por disparos de armas de fogo. Uma testemunha foi localizada pela Polícia e já foi ouvida.
De acordo com o advogado da Cainquiama, Ismael Moraes, Paulo Sérgio Almeida Nascimento era um dos mais atuantes nas denúncias contra a mineradora Hydro Alunorte, envolvida no vazamento de rejeitos de bauxita vindos da bacia de depósitos da empresa norueguesa instalada na região.
"Os mesmos policiais que fazem segurança privada para a Hydro foram os que invadiram a sede da associação. Acreditamos que as relações são evidentes. O Paulo Sergio não tinha qualquer inimigo ou desafeto. A única entidade que era inimiga dele é a Hydro", denuncia.
A Hydro informou em nota que "condena firmemente qualquer ação dessa natureza e repudia qualquer tipo de associação entre suas atividades e ações contra moradores e comunidades de Barcarena. A empresa reforça que sua relação com a comunidade é pautada pelos valores da companhia e pelo respeito à legislação de proteção aos direitos do cidadão e do meio ambiente.
Pedido de proteção
O promotor de Justiça Militar Armando Brasil protocolou em janeiro de 2018 um pedido à Secretaria de Segurança Pública do Estado (Segup) solicitando a proteção aos membros da associação que estariam sendo ameaçados e perseguidos.

Documento pede proteção aos membros da Associação dos Caboclos, indígenas e Quilombolas da Amazônia após denúncias. (Foto: Armando Brasil / Arquivo Pessoal)

"Existia um pedido meu de garantia de vida não só apenas dessa pessoa que foi morta, mas também de todos os integrantes da associação. O pedido foi negado pelo antigo secretário alegando que a existia inquérito instaurado contra a associação", explica o promotor.
No despacho da Segup, foi destacado que o Governo do Estado oferece programas de proteção através da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e que pelo menos três membros da associação respondiam por crimes na Justiça.
A perseguição alegada pela associação se deu a partir de uma suposta invasão à sede da Cainquiama. "O meu pedido foi baseado em uma denúncia de que a dois policiais haviam invadido a casa da Dona Socorro, onde também funciona a sede da associação. Depois disso, a associação alegou que um carro rondava por lá, a sede deles", completa.
O promotor destaca ainda que é cedo para relacionar a morte de Paulo Sérgio com as investigações que correm sobre a mineradora. "Sobre a Hydro, não podemos mencionar nada a respeito. Tem que ser apurado", garante Armando Brasil.
O Ministério Público informou em nota que irá aguardar o resultado do inquérito que investiga as circunstâncias da morte do diretor do Cainquiama e que, caso as investigações da polícia comprovem o envolvimento de militares no crime os mesmos serão denunciados e submetidos às sansões na justiça militar.
FONTE G1

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