sábado, 1 de abril de 2017

Prática, descolada, horrenda: o enigma da pochete

A pochete é provavelmente o acessório que mais foi execrado na história da moda. Mas a moda, como se sabe, tem dessas provocações: vez ou outra, é capaz de desenterrar um item esquecido décadas atrás e devolvê-lo às ruas e passarelas. É assim agora com essas bolsinhas que se prendem à cintura. Reportagem de VEJA desta semana explica seu retorno triunfal: “No histórico embate entre estética e praticidade, essa última costuma sair ganhando desde que o mundo é mundo”. De fato, o acessório anda agora restrito aos ambientes nos quais a bolsa atrapalha: baladas, shows e locais em que se praticam ginástica e esportes. “Mas algumas desbravadoras já superaram o olhar horrorizado das mães e tias e usam o acessório em qualquer hora e lugar”. Nos anos 1990, ensaiou-se também um revival da pochete. Prada e Gucci cuidaram de relançar o acessório, então rebatizado “bolsa anatômica”. “Descolada da imagem da sacolinha-cinto de couro entupida de zíperes e associada a viajantes com poucas preocupações estilísticas, a pochete — ou melhor, a bolsa que se molda ao corpo — de agora desfila na cintura de top models nas passarelas de Paris e Milão”. “O bacana das bolsinhas amarradas na cintura é que, além de práticas, são seguras. Ninguém vai roubá-las se você estiver num restaurante e se levantar da cadeira”, dizia a consultora de moda Gloria Kalil. “É a grande qualidade das bolsas anatômicas: diminuir o peso que as mulheres estão acostumadas a carregar”, acrescentava a estilista Glória Coelho.