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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Conhecida como papeira, caxumba é mais grave em adultos e mata

A família de Marina Lins (nome fictício para preservar identidade da fonte) passou por maus bocados na semana passada. Sem maiores explicações, a escola de ensino médio frequentada pela garota a encaminhou de volta para casa no meio da semana, em pleno período de aula. Preocupados, os pais insistiram com a direção sobre as razões do cancelamento das aulas daquele dia, quando foram informados que a escola estava vivendo um surto de caxumba. Em pouco mais de uma semana, mais de 40 alunos haviam manifestado sintomas como febre, dor ao mastigar, inchaço no rosto e pescoço, calafrios e dores pelo corpo.

Os alunos doentes foram dispensados da presença escolar, a Secretaria Municipal de Saúde foi acionada e uma vacinação emergencial de bloqueio foi realizada nos demais estudantes. De acordo com a subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica do município, Ana Paula Pitanga, desde o início do ano até agora, a capital enfrentou sete surtos: três deles em unidades de empresa de telemarketing, com 68 casos; dois em escolas, com 19 casos; um numa república estudantil, com cinco casos, e nove casos em um hospital.

“Os surtos identificados até agora são isolados e ocorrem de forma pontual, mas estamos estimulando os postos de saúde e os profissionais da área a notificarem os casos da doença. Inclusive tornamos as situações de caxumba com notificação compulsória em toda a cidade”, diz a representante da saúde pública. Nos locais onde a situação foi confirmada, a ação do poder público buscou fazer visita, preencheu os dados da notificação e realizou a triagem dos cartões de vacinação. “Estamos atentos aos locais, especialmente para ocorrência de novos casos”, completa Ana Paula Pitanga.

Para a mãe da estudante Marina, Carla Lins, a despeito da postura da Secretaria, muito ainda precisa ser feito no sentido de alertar a população. “Na escola da minha filha, o caso só ficou claro depois que pressionamos para saber o que estava acontecendo”, conta.



Virose

O infectologista Claudilson Bastos ressalta que a caxumba, papeira ou parotidite é causada por um micro-organismo conhecido como Paramyxovirus, que é transmitido por contato direto com gotículas de saliva ou da respiração de pessoas infectadas. “A caxumba costuma ser mais comum nesse período de Inverno e Primavera, mas as crianças continuam sendo as mais afetadas”, destaca o médico, lembrando que, ano passado, a doença chamou atenção por ter contaminado o jogador de futebol Neymar Jr e o ator Stênio Garcia.

O médico lembra que, como toda virose, a caxumba pode apresentar sintomas inespecíficos, mas que os sinais mais comuns da doença são febre, calafrios, dores de cabeça, musculares e ao mastigar ou engolir, além de fraqueza, prostração e o aumento das glândulas salivares próximas aos ouvidos, que fazem o rosto inchar.

“Nos casos mais sérios, a caxumba pode causar surdez, meningite e até a morte. Depois da puberdade, a papeira pode causar inflamação e inchaço doloroso dos testículos (orquite) nos homens ou dos ovários (ooforite) nas mulheres e levar à esterilidade e, justamente por isso, a doença não deve ser negligenciada e precisa de acompanhamento médico”, diz o especialista. Bastos lembra ainda que quem já teve a doença está imunizado contra novas contaminações de caxumba. Cerca de 40% dos casos de caxumba são assintomáticos.



Cuidados

Não existe tratamento específico para caxumba e os cuidados contemplam repouso, uso de anti-inflamatórios, além de boa hidratação e ingestão de alimentos leves e pastosos ou semilíquidos. “A melhor forma de se proteger contra a doença é fazer a imunização das crianças entre 12 e 15 meses de vida. Para aquelas pessoas que não têm certeza se foram vacinadas, vale salientar que a imunização pode ser feita até os 49 anos”, ensina Bastos. A imunização pode ser feita com as vacinas tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), que é recomendada a partir dos 12 meses, com reforço aos 4 e 5 anos, e a tetravalente que também protege contra a varicela.

O médico destaca também que o período de transmissão da doença dura em torno de nove dias depois da manifestação dos primeiros sintomas. “Nesse período, é importante que a pessoa se mantenha afastadas das atividades laborativas ou estudantis”, orienta o infectologista, ressaltando que é importante desinfectar os objetos contaminados como secreções do nariz, da boca e da garganta do doente sempre.

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